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ENTREVISTA COM PIETRO COSTA
ENTREVISTA COM PIETRO COSTA

ENTREVISTA COM PIETRO COSTA

  

  1. De onde você é? Quando você começou a se aventurar na literatura? Sofreu influência direta de parentes mais velhos, amigos, professores? O que aprendeu na escola o instigou a criar textos?

 Nasci em Brasília e sempre morei na capital federal. O amor à literatura despontou mesmo nos primeiros semestres da faculdade, ao estudar disciplinas jurídicas do eixo propedêutico, como Teoria Geral do Direito, Filosofia, que por sua vocação interdisciplinar, atiçaram minha curiosidade por outros domínios do saber, como a psicologia, linguística, sociologia, etc. Todavia, quanto aos meus rascunhos, aqueles escritos despretensiosos de se transformar em uma publicação, vale dizer que surgiram por volta dos doze anos de idade, sendo, na maioria das vezes, poemas.

 

 Você já leu muitas obras e lê frequentemente? Que gêneros (poesia, contos, crônicas, romance) e autores prefere?

 Sempre cultivei o hábito de ser um leitor voraz. Atualmente, porém, estou um tanto sedentário nesse “esporte”, pela rotina de trabalho intensa, embora gratificante, como servidor público federal e agente cultural. Mas é só questão de organizar prioridades e processos, para retomar meus planos de leitura.

 Tenho muitas referências. Seria enfadonho e inútil listar todas, pois a memória me trairia. Portanto, vou fazer algumas menções, assumindo o risco de preterir algum nome. Já peço minhas desculpas antecipadas por isso. Na poesia, Drummond, Manoel de Barros, Cecília Meireles, Florbela Espanca, Garcia Lorca. Na prosa, Machado de Assis, Ariano Suassuna, Mário de Andrade, Vargas Llosa, Jorge Luís Borges, Dostoiévski, Jane Austen, Goethe, García Márquez, Dickens, T. S. Elliot, Victor Hugo, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa. Amo também a Filosofia. Aristóteles, Platão, Nietzsche, Schoppenhauer, entre outros arautos de diferentes períodos e escolas, só para citar os que mais me influenciam.

 Atualmente, eu tenho incursionado, com maior predominância, no mundo da poesia.

 

  1. Costuma fazer um glossário com as palavras que encontra por aí (em livros, na internet, na televisão etc.) e ir ao dicionário pesquisá-las?

 Sim. Entendo que os escritores e leitores que imprescindem de um aprimoramento contínuo, devem naturalmente se dignar a tal esforço. Até mesmo por deferência à língua portuguesa, que se distingue por sua complexidade sintática, semântica e pragmática. Não por vaidade, diletantismo ou pedantismo intelectual, mas pelo culto à elegância própria de nossa língua.

 

  1. Há escritores de hoje na internet (não consagrados pelo povo) que admira? Em sites, Academias de que de repente você participa etc.

 Sim. Do meu convívio mais imediato, posso citar o Mauro Rocha, o Domingos Pereira Netto e o Adamor Maciel, da Academia Cruzeirense de Letras; o Ismar Lemes, a Nilva Souza, a Luh Veiga, do Celeiro Literário Brasiliense Leia-me; o Marcos Fabrício; o Jorge Amâncio; a Noélia Ribeiro; a Basilina Pereira, da ALMUB; o Alberto Bresciani; a Ana Rossi; o Roberto Klotz e o Leonardo Almeida Filho. Existem muitos.

 

  1. Você costuma participar de antologias? Acha-as algo interessante? Participaria de uma se eu a lançasse?

 Gosto sim. Considero válidas por revelarem nomes interessantes, de diversos estilos e regiões do país, por vezes pouco conhecidos, ou até mesmo desconhecidos. Além disso, contribuem sobremaneira para aperfeiçoar o fazer literário. Consigno notar, claramente, ganhos significativos na minha escrita e processo criativo, decorrentes em grande parte da interação com outros autores, por meio de antologias.

 

  1. Você é membro de Academias de Letras? Aceitaria indicações para ingressar em Academias de Letras como membro?

 Sou o atual presidente da Academia Cruzeirense de Letras - ACL, uma associação cultural desprovida de fins lucrativos, fundada em 06 de agosto de 2014. Adotamos o formato da Academia Brasileira de Letras, mas com um conteúdo muito mais popular, buscando representar, nas artes, a comunidade do Cruzeiro, no Distrito Federal, todavia, sem o elitismo e a pompa que cercam tradicionalmente algumas instituições literárias.

 A ACL é constituída de moradores e ex-moradores do bairro, cujos patronos são inspirações para uma produção que é marcada pela participação de autores das mais diversas linguagens e estilos. Destes se destaca o patrono de toda a instituição, Ariano Suassuna, falecido poucos dias antes de nossa fundação, e eleito pelos membros fundadores para tal posto.

 O nosso blogue é: http://academiacruzeirense.blogspot.com

 

  1. Tem ideia de quantos textos literários já escreveu? Há quanto tempo escreve ininterruptamente?

 Escrevo diariamente, mas não publico de imediato tudo que escrevo. Assimilo o processo de maturação de cada texto e suas ideias conforme a minha intuição. Às vezes, há espaço para a “criança” se desenvolver, em outras ocasiões, parece que nasceu pronta para conhecer e desafiar o mundo.

 Nesse viés, respeito bastante a ponderação de Rilke, que com altiva sagacidade salientou: “todo avanço vem de dentro; permitir que cada impressão e semente de um sentimento germine por completo dentro de si, na escuridão do inefável e do inconsciente; amadurecer como uma árvore que não apressa a sua seiva; passar por serenidade e seriedade pelo período de desenvolvimento.

 Enquanto admirador inveterado da língua portuguesa, confesso ter o ímpeto recorrente de buscar a palavra que veste melhor a gama de sentimentos e emoções insinuadas no texto. O “mote juste” de Flaubert.

 

  1. Você tem dificuldade de escrever em prosa, em verso?

 A minha afinidade é maior com a linguagem poética, embora goste de ler prosa e redigir ensaios. Tenho a intenção de aprender mais sobre romances, contos e crônicas, principalmente no tocante às técnicas e boas práticas. Atingir essa competência literária faz parte dos meus projetos de vida.

 

  1. Você possui algum lugar onde publica textos virtualmente? Qual?

 Sim. Tenho um blogue. Nele, compartilho a produção literária de minha autoria, atualizada constantemente, sobre temas alusivos aos mais distintos campos do saber, e iniciativas culturais da Academia Cruzeirense de Letras, como o nosso programa de Rádio Web “Cruzeiro em Letras”, eventos que organizamos e/ou participamos, etc. Segue o endereço: http://pietrolemoscosta.blogspot.com

 

  1. Que temas prefere escrever? Prefere ficção ou o que vivencia e vê no dia a dia?

 Tento ser observador, como o camaleão de Ray Bradbury, e imaginativo, como  Manoel de Barros. Faço uma abordagem temática bastante heterogênea: macrocosmo, imaginário, universo tangível, mas prevalece, no meu fazer literário, a abordagem das intrincadas questões e graves contradições ligadas ao mundo contemporâneo, como a coisificação da vida, o desvalor da simplicidade, a fragilidade dos vínculos, os esbulhos psíquicos, morais, sociais, identitários.

 

  1. Aprecia outros tipos de arte usualmente? Frequenta museus, teatros, apresentações musicais, salões de pintura? Está envolvido com outro tipo de arte (é pintor, músico, escultor?)

 Sou escritor e não pratico outras formas de arte, embora tenha elevado apreço por todas elas. Precisamos das artes para subtrair as algemas que constrangem o exercício do pensar, para toda hipocrisia desnudar, para os sonhos mais lídimos emoldurar. Elas nos atraem para longe de nossas zonas de conforto, de mediocridade. Protestam por uma vida não mecanizada, mas consciente, pulsante, altiva, que respira! Uma sociedade sem artes é uma tela de natureza morta que não desperta nenhuma emoção.

 

  1. Que retorno você espera da literatura para si mesmo no Brasil? E a nível de mundo?

 Respondo com Bukowski: “Nenhuma recompensa é maior do que o ato de fazer. O que vem depois é secundário”.

 

  1. Você acha que o brasileiro médio costuma ler? Acha que ele gosta de literatura tradicional ou só de notícias rápidas e sem profundidade?

 Acho que há uma defasagem entre a qualidade de nossa literatura e o hábito que o cidadão tem de ler. Isso tem a ver com o nível precário da educação nacional no que se refere a práticas de orientação e estímulo da leitura. Some-se a isso o advento das novas tecnologias. A interatividade das novas plataformas, apesar de ter gerado novas possibilidades de acesso à literatura, tem estimulado o sedentarismo intelectual, e até mesmo inoculado um falso senso de elitismo, quero dizer, de diferenciação intelectual, pois muitas vezes falta, por parte do brasileiro médio, o cuidado de averiguar a veracidade do que é postado nas redes sociais, blogues e canais alternativos. Ao contrário, parte-se do pressuposto de que a ausência de filtros da grande mídia representa maior credibilidade. Nem sempre.

 

  1. Você costuma registrar seus textos na FBN antes de publicá-los? Sabe da importância disso?

 É muito importante a adoção dessa cautela. As novas plataformas facilitam, e muito, a ocorrência de fraudes.

 

  1. Já tem livros-solo publicados? Consegue vendê-los com certa facilidade?

 Sou autor dos livros ENTRE A CANETA E O PAPEL: UM CONVITE À TRANSCENDÊNCIA, Chiado Books, ISBN 978-989-52-2376-3 e A ROSA DOS VENTOS: POEMAS E ENSAIOS SOBRE AMOR E PODER, Art Letras, ISBN 978-85-9506-105-7. Pretendo lançar mais dois livros ainda neste ano: JURAS DE POESIA ETERNA e URBANOS. Apesar de fazer boa divulgação nas redes sociais, tenho família pequena e ingressei no meio literário há poucos anos. Meus livros não vendem em grande quantidade, e isso nunca, sinceramente, foi minha maior motivação. Escrevo porque amo escrever, “para não enlouquecer”. Acredito que vou crescer mais com o tempo. Porém, vale esclarecer que não sou do perfil de insistir, de ficar postando todo dia nas redes, preferindo que as coisas fluam com naturalidade.

 

  1. Já conhecia o poeta-escritor Oliveira Caruso (desculpe-me... Esta pergunta é padrão para quem participa de meus concursos literários)?

 Tudo tem o seu momento, não é? Muito prazer, uma honra conhecê-lo e participar dessa entrevista, qualificada por perguntas pertinentes e astutas!

 

  1. Você trabalha com literatura inclusive para aumentar sua renda ou a leva como um delicioso hobby?

 Minha renda financeira não provém da literatura, a qual vivencio como um caso delicioso de amor e paixão! Posso até dizer que o fazer literário se traduz em um ofício, mas no sentido de gratificar minha existência de propósitos e sonhos maiores, que transcendem a ambição de sucesso meramente material.

 

  1. Você trabalha(ou) fora da literatura?

 Sim, sou servidor público federal do Ministério Público da União, lotado atualmente na Procuradoria-Geral da Justiça Militar. Atuo como Analista Jurídico de 2ª Instância.

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